O Renato entrou na minha antiga casa na madrugada do dia 9 de Dezembro de 2011, meu último dia em Marabá... era o último dia dele lá também, mas eu não tenho tanta certeza de que ele sabia disso. Nós enfrentamos alguns obstáculos (ele enfrentou mais) em prol daquela última madrugada. Ele saiu de casa no maior silêncio para não ser descoberto saindo de casa, ele abriu e fechou com cuidado as portas de tela da sua própria casa e da minha também, onde eu, em minha única tarefa, fiquei acordada esperando o Renato me chamar.
Eu não acho que tenha demorado muito tempo até eu ouvi-lo chamar meu nome, o que me assustou um pouco, confesso. Abri a janela e não me lembro bem se ele pulou para o quarto ou se pulei eu para a varanda. Eu só sei que num minuto nós estávamos lá, andando pela vila pela última vez. Traçando nosso caminho por entre as ruas e casas pela última vez. Dizendo adeus a tudo aquilo que fazia parte da nossa realidade. O Renato só chorava, pelo que eu me lembro. Eu só me segurava para não chorar. Para não pensar no fim que estava se opondo a mim. O fim, que acabou nos forçando a dar nossas últimas voltas na vila. Eu só pensava em como era surreal que tudo estivesse acabando e em como a lua estava absurdamente linda numa madrugada tão triste.
Deixei o Renato em casa pela última vez. Voltei o caminho todo sozinha e o que aconteceu foi no mínimo estranho: em todos os lugares para onde eu apontei a minha direção eu me vi em diversos momentos e situações.
Na rua da escola, no caminho até a pracinha, seguindo para o clube... Caminhando por ali eu pude ver nitidamente a mim mesma. Acompanhada por amigos, de mochila nas costas, andando sozinha... Na rotatória da vila foi muito mais real. Como se eu tivesse sido dividida em duas! Eu juro, eu me vi me despedindo do Ju ali na rotatória como eu sempre fazia. Eu vi ele pular nas minhas costas como ele sempre fazia ao se despedir. Eu vi nós dois dançando feito dois malucos sem nada a perder. Eu me vi seguir meu caminho descendo a rua, com o Renato ao meu lado ouvindo música. Eu, acompanhada dele e do Edinho, indo pra feirinha ou saindo para fora da vila rumo ao postinho.
E aí eu acordei pra vida e estava na entrada de casa. Encarando aquelas paredes, janelas e portas. Tentando memorizar cada detalhe dela e de tudo ao redor para não me esquecer de nenhum detalhe daquele lugar.
Já no meu antigo quarto, jogada no colchão, eu baixei a guarda, tirei minha armadura "sou durona demais para chorar" e deixei as lágrimas me vencerem. Eu chorei por tudo o que eu não tinha chorado. Por cada dia que eu vivi naquele quarto, por cada volta que eu dei na vila, por todos os detalhes da casa que eu fiz questão de memorizar. Eu chorei de raiva porque eu não podia fazer nada para evitar que as pessoas que eu mais me importava fossem embora. Chorei de saudade, chorei pela dor que apertava o meu peito, chorei de alegria porque tudo o que eu tinha vivido foi simplesmente lindo.
Agora, escrevendo tudo isso fico com vontade de chorar, mas é em vão porque lágrimas não mudam nada e nenhuma armadura conseguiria se sustentar me fazendo de durona Aquela armadura eu não visto mais. Uma vez que eu deixei as lágrimas vencerem é mais do que justo deixá-las rolarem a qualquer hora. E elas vão rolar toda vez que eu me lembrar da última vez que eu andei na vila com o Renato.
WTF?
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16 de abr. de 2012
21 de nov. de 2011
Isso tudo é tão triste

Quem vai se mudar pra longe e quem já se mudou pra longe sabe do que eu vou falar agora e sente, sentiu ou sentirá a mesma agonia.
Domingo, 6. Posso dizer que fiz uma dissecação no meu armário. Achei milhares de desenhos meus, desenhos de amigos, desenhos da Bia), cartinhas, fotos, folhas com conversas super confidenciais mais conhecidos como "MSN folha" ou "MSN de papel", bilhetinhos da escola, trabalhos escolares, quadrinhos e tirinhas incompletos, cartas que eu escrevi e os destinatários nunca as lerão. Muitas coisas eu tive que jogar fora porque era muito papel. As únicas coisas que sobraram foram as fotos, as cartinhas e os desenhos dos amigos. O resto eu fiz questão de picotar, folha por folha, pra ninguém saber do que se trata.
Em cada folha que eu pegava tinha uma história diferente, momentos que ditaram a minha vida aqui em Marabá. Cada uma tinha algo sobre quando eu cheguei, sobre quando eu queria ir embora, rolos da escola, paixonites, desabafos depressivos, letras de músicas, confissões. Dava pra fazer um livro! Foi muito triste jogar os papéis fora. É difícil a lição do desapego. Por mim, eu faria mesmo um livro com toda a papelada. Mas tem coisas que é melhor deixar no passado, é melhor deixar pra trás, deixar pra lá.
No armário também tem cadernos do ano passado, com anotações, piadinhas, desenhos, matérias, exercícios, vistos... E livros cheios de coisinhas escritas nos cantos das páginas ou rabiscos nos rostos das imagens. Isso eu não joguei fora porque eu não tive coragem... Vai entender!
É ruim ter que empacotar as coisas porque isso vai selando o fim... Ainda há muito o que empacotar e ainda há malas a fazer. Isso tudo é tão triste... Cada caixa, cada coisa, cada papel, cada caderno, cada livro... Cada um tem um significado, uma história, um momento e é horrível a agonia que se sente ao perceber que acabou, que já passou, que não volta mais...
E quando for oficialmente o fim?
beijos tristonhos, amores ;*
4 de mai. de 2010
Crianças...
Aqui em casa nós temos duas, haha... Bebês pra ser sincera. A melhor dupla de dois! Meus dois capetinhas.
Cara, eles me lembram MUITO eu e minha irmã. Uma hora estão quietos, felizes, brincando juntos e no segundo seguinte eles estão bagunçando, nervosos e se batendo. Chega a ser engraçado. E quando eles são colocados de castigo o Gui fica lá, todo carrancudo, parece a minha irmã. Não pede desculpas, não fala nada, fica com cara de quem comeu e não gostou. E a Giovanna pede desculpas na língua dela, abraça e dá beijo pra se livrar do castigo de uma vez, no caso sou eu. Fazia de tudo um pouco pra sair da situação, pra me ver livre.
Minha tia fica em tempo de morrer, nervosa, sem saber o que fazer... Ela que se prepare, por que eles ainda vão aprontar muito. Palavra de quem já aprontou também ;)
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